sexta-feira, 1 de julho de 2011

O que está acontecendo com a Grécia?

Olá, segue abaixo um post feito pelo Leonardo Guimarães, um amigo meu que trabalha no mercado financeiro. O Post abaixo é muito bom é explica de forma simples a crise que está acontecendo na Grécia.
link original: http://www.facebook.com/notes/pax-corretora-de-valores/o-que-est%C3%A1-acontecendo-com-a-gr%C3%A9cia/121187244635077


O que está acontecendo com a Grécia?


A Grécia está endividada mais do que sua capacidade de pagar as dívidas. Os credores acham que ela não vai conseguir honrar e pediram socorro ao Banco Central Europeu (BCE), já que a Grécia faz parte de um conjunto de países que utilizam o Euro como moeda. O FMI, que também socorre países nessa situação, e o BCE condicionaram um “pacote de salvação” à redução de despesas gregas. É aquela coisa: se alguém lhe deve e avisa que não terá como pagar, o mínimo que se espera é que esse devedor pare de aumentar seus gastos.
Mas como um país se endivida?
Da mesma forma que as famílias e as empresas, os governos também têm contas para receber e pagar. É natural que os governos de países queiram realizar investimentos com grandes somas de dinheiro e com prazos de financiamento muito longos. A construção de um aeroporto, por exemplo, despende muito dinheiro. Os benefícios, por sua vez, são inúmeros: emprega-se mão-de-obra no local, aumenta o fluxo de pessoas e mercadorias e facilita o trânsito daqueles que necessitem deslocamento na região. O problema é que as vezes o governo não possui dinheiro suficiente para iniciar a construção. A única solução é se endividar através de empréstimos ou emissão papéis. Funciona assim: o investidor empresta o dinheiro do qual o governo necessita em troca de uma determinada quantia de juros. O custo do dinheiro, a taxa de juros, depende de como o investidor enxerga a possibilidade de levar um calote. Quando o investidor está receoso, pede juros maiores.
E por que não reduzir logo os gastos, pedir mais dinheiro e pagar essas dívidas?
Reduzir gastos em um país é algo doloroso: significa redução de investimentos, corte de empregos, menores salários, aumento de impostos e muito mais. A população foi às ruas procurar os culpados e protestar, já que são os cidadãos que terminam sofrendo mais. Planos de redução de gastos foram aprovados, mas ainda são insuficientes para aliviar a situação de maneira eficaz.
Para pedir mais dinheiro, é necessário credibilidade. Se você entra no cheque especial e depois vai ao banco solicitar mais dinheiro, seu gerente possivelmente negará. Então você terá que bater na porta de emprestadores mais caros ou menos criteriosos (como um agiota). Dessa forma sua dívida só aumenta e a chance de sair dessa situação se distancia.
Por que a Grécia entrou nessa?
Para entrar na Zona do Euro, e usar o Banco Central Europeu, o Euro como moeda, agilizar e expandir negócios com países vizinhos, os países comprometem-se com uma série de “regras”. Uma delas diz respeito ao nível de endividamento, que obviamente não foi respeitada pela Grécia.  Para agravar a situação, enfrentamos uma crise em 2008 (aquela, do Subprime) que “enxugou” parte dos recursos que circulavam no mundo e “travou” parte do comércio entre países (assim a Grécia teve dificuldade de exportar e elevar suas receitas). Para se ter uma noção, o PIB grego, a soma das riquezas produzidas no país em um ano, é estimada em cerca de US$ 318 bilhões (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/gr.html). Já a dívida alcança valores próximos a US$ 350 bilhões. Para efeito de comparação, no Brasil a relação Dívida/PIB é de 39,8% (maio) e a da Grécia chega a 110%.
O que a Grécia vai fazer, então?
Com certeza ela terá que readequar-se a novos tempos: gastos contidos, aumento de impostos, baixo crescimento econômico e baixos salários. Muita coisa já foi pensada, até mesmo colocar a venda algumas daquelas ilhas estonteantes. Por enquanto, de forma mais concreta, os países mais influentes da região do euro, como Alemanha e França (detalhe: boa parte dos investidores da crise da Grécia é formada por bancos desses dois países) tentam renegociar dívidas com credores e estimular a redução de gastos para que “pacotes de alívio”, em dinheiro, sejam enviados aos Gregos.

Leonardo Guimarães
Representante Comercial da PAX Corretora de Valores